Ameaças, controle do celular e isolamento social, MP destaca efeitos da violência psicológica

Ameaças, controle do celular e isolamento social, MP destaca efeitos da violência psicológica

Fonte: Diário Digital

A violência psicológica é uma agressão silenciosa que destrói a autoestima, paralisa a vítima e a coloca em constante situação de risco ( Foto Divulgação)

Nem toda violência deixa marcas visíveis no corpo. A violência psicológica é uma agressão silenciosa que destrói a autoestima, paralisa a vítima e a coloca em constante situação de risco. Embora muitas vezes passe despercebida por amigos e familiares, ela tem consequências reais e devastadoras, sendo frequentemente a porta de entrada para agressões físicas e, em casos extremos, o feminicídio.

Muitas mulheres vivenciam o abuso sem se dar conta de que estão sendo vítimas de um crime. Comportamentos controladores e manipuladores costumam ser camuflados sob a desculpa de “excesso de amor” ou “crises de ciúmes”. No entanto, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é clara ao tipificar como crime ações que causem dano emocional e diminuição da autoestima, tais como:

Controle e Vigilância: Rastrear a localização, exigir senhas de redes sociais e monitorar o aparelho celular de forma constante.
Isolamento Forçado: Afastar a mulher de seus familiares, amigos e do mercado de trabalho, cortando sua rede de apoio para torná-la dependente do agressor.
Distorção da Realidade (Gaslighting): Fazer a mulher duvidar de sua própria sanidade, memória e percepção dos fatos, fazendo-a acreditar que ela é a culpada pelos abusos.
Humilhação e Ridicularização: Desvalorizar a inteligência, a aparência ou a capacidade profissional da parceira, em público ou no ambiente privado.
Chantagem e Ameaças: Veladas ou explícitas, envolvendo a guarda dos filhos, a subsistência financeira ou a integridade física da vítima e de seus familiares.

Os danos da violência psicológica não desaparecem quando a discussão termina. O estado de alerta e o estresse crônico gerados pelo abuso produzem sequelas profundas na saúde física e mental da mulher, incluindo síndrome do pânico, depressão severa e ansiedade generalizada; distúrbios psicossomáticos (dores crônicas, problemas gastrointestinais e insônia); isolamento social profundo e perda da autonomia financeira e pessoal; ideação suicida decorrente do esgotamento emocional e do sentimento de desamparo.

A violência psicológica raramente ocorre de forma isolada; ela faz parte de um ciclo que se repete e se intensifica com o tempo. Romper esse ciclo sozinha é um desafio imenso, e é por isso que o apoio institucional é indispensável.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) atua na linha de frente para garantir a proteção integral da mulher. Além de fiscalizar e promover a ação penal contra os agressores, o MPMS trabalha no fortalecimento da rede de atendimento (que envolve psicólogos, assistentes sociais e abrigos), garantindo medidas protetivas de urgência para afastar o agressor e devolver a segurança à vítima.

Não se cale. Você não está sozinha.

Se você está passando por isso, ou conhece alguma mulher que apresenta sinais de isolamento e tristeza profunda decorrentes do relacionamento, denuncie. A informação e a denúncia salvam vidas.

Acesse ouvidoria.mpms.mp.br ou ligue 127. 

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