Arte Indígena de Mato Grosso do Sul: Projeto fortalece vendas e visibilidade no estado

Arte Indígena de Mato Grosso do Sul: Projeto fortalece vendas e visibilidade no estado
Fonte: Diário Digital
As etnias com maior presença comercial e participação em eventos são Terena, Kadiwéu e Kinikinau, com destaque para a produção em cerâmica. (Fotos: Ricardo Gomes/FCMS)

O artesanato indígena de Mato Grosso do Sul vem sendo valorizado por meio de ações da Fundação de Cultura, que promove a comercialização na Casa do Artesão, incentiva a participação em feiras nacionais e realiza atendimentos nas aldeias para a emissão da Carteira Nacional do Artesão. No Estado, nove etnias estão catalogadas, todas com produção ativa em segmentos como cerâmica, fibras e artefatos confeccionados com sementes.

Segundo a diretora de Artesanato, Moda e Design da Fundação de Cultura, Katienka Klain, as etnias com maior presença comercial e participação em eventos são Terena, Kadiwéu e Kinikinau, com destaque para a produção em cerâmica.

“Hoje está tendo uma maior venda do material do Guató, do Ofaié, mas ainda de forma muito devagar, mas as maiores vendas são a terena, que é referência cultural, que é patrimônio cultural, e elas vendem muito por associações, também, às vezes, não indígenas, porque tem essa dificuldade de acesso financeiro de participar em alguns eventos”.

Katienka também ressalta que as feiras nacionais representam importante canal de comercialização, ainda que, muitas vezes, as vendas ocorram por meio de associações.

“As feiras nacionais são vendidas, a grande maioria, através de associações de artesanato, nem sempre associações indígenas, também há participação de representação de pessoas não indígenas, e aí essa venda é realizada em grande número expressivo, mas a grande maioria está na cerâmica terena. Ainda a gente tem que ter um trabalho maior no estado para aumentar a venda e qualificar mais os outros artesanatos”.

A diretora reforça ainda o papel central do artesanato indígena na formação cultural do Estado.

“O artesanato indígena é o primordial, é o que começou, onde tudo começou. Então, assim, está em grande parte quando a gente realiza a Carteira Nacional do Artesanato nas aldeias indígenas. Eles deixam claro que vivem do artesanato, então é fundamental o apoio da Fundação de Cultura por meio da comercialização em eventos como os festivais de Inverno de Bonito e América do Sul, que são espaços próprios para eles. Há também vagas em editais específicas para a população indígena, para que possam escoar essas peças, ter representatividade e compreender o mercado do artesanato”.

Presente há mais de 30 anos na Casa do Artesão, o artesanato indígena conta com a participação de etnias como Kadiwéu, Terena e Kinikinau. Para a coordenadora do espaço, Eliane Torres, esse segmento representa a essência cultural do Estado.

“O artesanato indígena é a nossa referência cultural, é a nossa identidade, é patrimônio histórico. Tudo isso envolve, por isso temos aqui nossos artesãos indígenas presentes na nossa casa”.

Entre os artesãos, a valorização do espaço é unânime. A artesã Cleonice Roberto Veiga, conhecida como Cléo Kinikinau, expõe suas peças há um ano no local, ao lado dos trabalhos de sua mãe, Ana Lúcia da Costa. A produção inclui cerâmica, argila e acessórios como colares, brincos e pulseiras.

“Para a gente é importante que vocês ajudem a divulgar o nosso trabalho, a nossa cultura e também ajuda no custo financeiro, que isso é uma fonte de renda nossa, que muitas vezes a gente não tem um emprego fixo. Depois que conhecemos a Casa do Artesão, tem sido ótimo, porque de mês em mês recebemos o retorno das vendas e isso valoriza mais o nosso trabalho. Nosso artesanato Kinikinau é raro de ver em outros lugares, mas está ajudando muito a gente”.

Da etnia Kadiwéu, a artesã Creusa Virgílio mantém uma relação de mais de uma década com o espaço.

“Eu seguia minha mãe e minha irmã para vender cerâmica. Hoje eu continuo. Elas partiram e eu sigo na Casa do Artesão. Entrego peças a cada 30 dias. Para mim, é a valorização da mulher Kadiwéu, da nossa arte e da nossa cultura. O artesanato é renda familiar e também forma de manter viva a nossa tradição”.

Outro destaque é a artesã Rosenir Batista, da etnia Terena, homenageada na Semana do Artesão do ano passado. Com trajetória iniciada ainda na infância, ela hoje também atua na formação de novos artesãos, ministrando oficinas em escolas.

“O saber ancestral da arte em cerâmica Terena aprendi com minha avó, e das primeiras peças produzidas meu trabalho evoluiu para diversos tipos de peças utilitárias e decorativas, que se transformaram na minha principal fonte de renda. Esse conhecimento já repassei para minhas filhas e netas, e temos o compromisso de manter essa técnica viva de geração em geração”.

Moradora da aldeia Cachoeirinha, no município de Miranda, Rosenir destaca a importância da continuidade cultural.

“A cerâmica, para mim, é um legado da minha mãe. Não posso deixar morrer essa cultura. É a identidade da nossa aldeia, e hoje toda a minha família trabalha com isso”.

 

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