De Campo Grande para o centro de treinamento da MLB: jovem de 15 anos conquista vaga inédita e inspira nova geração do beisebol
Atleta da Associação Campograndense de Beisebol, participante da Rede CT — Capacitação e Transformação, Renato Lachowski passa a integrar centro de treinamento da MLB e da seleção brasileira após se destacar entre mais de 500 jovens em seletiva internacional
Aos 15 anos, Renato Lachowski já vive uma experiência que poucos atletas brasileiros tiveram a oportunidade de alcançar. Integrante da Associação Campograndense de Beisebol (ACB), de Campo Grande (MS), o jovem conquistou uma vaga no centro de treinamento Yakult-MLB/CBBS, em Ibiúna (SP), referência nacional na formação de atletas e local que também recebe jogadores de diversas categorias das seleções brasileiras de beisebol e softbol.
A conquista veio após Renato se destacar em um processo seletivo que reuniu mais de 500 atletas de todo o país. Entre os 15 melhores avaliados, o sul-mato-grossense garantiu espaço em uma estrutura de excelência voltada ao desenvolvimento esportivo de jovens talentos, em uma experiência inédita para a Associação Campograndense de Beisebol.
Integrante da Associação Campograndense de Beisebol (ACB), organização social que participa das capacitações e mentorias da Rede CT — Capacitação e Transformação em 2026, o jovem passou a integrar o centro de treinamento em regime de internato. Desde então, participa de treinamentos diários no CT Yakult-MLB/CBBS e já esteve na República Dominicana para participar de um try out, seletiva internacional promovida por olheiros e técnicos ligados ao beisebol profissional.
Para Renato, a aprovação representou a concretização de um objetivo que já fazia parte de seus planos muito antes da confirmação oficial da vaga.
“Quando fui convidado para fazer os testes em Ibiúna, já tinha certeza de onde eu queria estar. Quando meus pais perguntavam onde eu gostaria de estudar em 2026, já que minha antiga escola não tinha ensino médio, eu sempre respondia: ‘vou estudar em Ibiúna’. Nem dava chance para um plano B. Quando meu pai me contou que eu tinha passado na seletiva, eu estava no Japão com a minha mãe e minha irmã. Comemoramos muito. Fiquei muito empolgado porque quero me profissionalizar no beisebol”, conta Renato.
A rotina no centro de treinamento exige disciplina, organização e comprometimento. O dia começa antes das 6h da manhã. Os atletas seguem para a escola durante a manhã e retornam ao CT para almoço e treinamentos técnicos e físicos ao longo de toda a tarde. Após o jantar, ainda participam de atividades complementares, como aulas de inglês e acompanhamento psicológico, além de manterem os estudos em dia. “Sei que preciso me dedicar e treinar muito para conquistar o meu sonho”, afirma o jovem atleta.
Por trás da conquista existe uma longa trajetória de dedicação compartilhada entre atleta, família e associação esportiva. Segundo o pai de Renato, Igor Lachowski, desde o início do processo seletivo, em meados do ano passado, a família já percorreu aproximadamente 30 mil quilômetros entre viagens para treinamentos, avaliações e competições em diferentes estados brasileiros.
“Os pais precisam sonhar junto com o atleta. Não basta ter talento. É preciso disciplina, dedicação, bom desempenho escolar e comportamento. Nada é garantido e o atleta precisa mostrar resultado todos os dias”, revela.
De acordo com Igor, a entrada de Renato no centro de treinamento transformou completamente a rotina familiar. As viagens frequentes passaram a fazer parte do cotidiano, exigindo planejamento, investimento financeiro e muita disposição para acompanhar cada etapa do desenvolvimento do filho.
Recentemente, por exemplo, os pais viajaram de Campo Grande até Campinas para buscar Renato durante um período de convivência com familiares e, em seguida, seguiram para Marília, onde o jovem disputou o Campeonato Brasileiro da modalidade, antes de retornar ao centro de treinamento em Ibiúna.
“É uma vida de muita correria. Tem que ter dedicação tanto do atleta quanto dos pais. Mas é uma oportunidade única e o nosso filho tem todo o nosso apoio”, resume.
Para Glaucio Hashimoto, representante da Associação Campograndense de Beisebol, a conquista é resultado de anos de trabalho voltados à formação esportiva e humana dos jovens atendidos pela entidade.
“Ver um atleta formado dentro da nossa associação alcançar esse nível é motivo de muito orgulho. O Renato representa não apenas o próprio talento, mas também o esforço coletivo de famílias, treinadores e voluntários que acreditam no poder transformador do esporte”, destaca.
O fortalecimento das organizações esportivas de base
A trajetória de Renato evidencia a importância do trabalho desenvolvido por organizações esportivas de base espalhadas pelo país. A Associação Campograndense de Beisebol integra o grupo de OSCs participantes da Rede CT — Capacitação e Transformação, iniciativa voltada ao fortalecimento institucional de organizações sociais esportivas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Histórias como a de Renato demonstram que o desenvolvimento de talentos esportivos depende de uma rede de apoio formada por famílias, treinadores e organizações da sociedade civil. Ao fortalecer a gestão e a capacidade de atuação dessas instituições, a Rede CT contribui para ampliar oportunidades e criar condições para que jovens atletas possam alcançar espaços antes considerados distantes.
“A proposta da Rede CT é justamente ampliar o impacto dessas instituições, capacitando-as a desenvolver projetos, maturar a gestão, acessar oportunidades e potencializar o terceiro setor esportivo. Para nós, é uma honra ouvir histórias como a de Renato e saber que colaboramos para visibilizar talentos tão brilhantes em regiões historicamente pouco contempladas por recursos incentivados. Iniciativas de base ajudam a construir oportunidades, vínculos comunitários e perspectivas de futuro para jovens e suas famílias”, explica Maria Cecília Costa, coordenadora de mobilização da Rede CT.
Hashimoto também destaca a importância da mentoria oferecida pela Rede CT para o fortalecimento da associação e a ampliação do acesso ao esporte: “as orientações da Rede CT têm sido fundamentais para ampliarmos nossa visão sobre estruturação de projetos, planejamento e sustentabilidade institucional. Isso fortalece a associação e aumenta nossa capacidade de criar oportunidades para mais crianças e adolescentes”, afirma.
Mais do que uma conquista individual, a trajetória de Renato simboliza o potencial transformador do esporte quando talento, apoio familiar e fortalecimento institucional caminham juntos. Uma combinação capaz de levar um jovem de Campo Grande aos centros de formação mais importantes do beisebol brasileiro e internacional.
Sobre a Rede CT – Capacitação e Transformação
A Rede CT – Capacitação e Transformação nasce da união de mais de 20 anos de experiência do Instituto Futebol de Rua em desenvolvimento e captação de recursos com a Rede Igapó em projetos incentivados. A iniciativa conta com o Itaú como patrocinador master, além do patrocínio da B3 e do Instituto Aegea, e tem como objetivo capacitar empreendedores sociais esportivos para o uso da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, apoiando programas que utilizam a prática esportiva como ferramenta de transformação social.
Rede CT – Capacitação e Transformação


