Prefeitura alega dificuldade com fornecedores, mas Maicon Nogueira encontra em farmácia medicamentos que faltam nos CAPS

Prefeitura alega dificuldade com fornecedores, mas Maicon Nogueira encontra em farmácia medicamentos que faltam nos CAPS

O vereador Maicon Nogueira voltou a cobrar explicações da Prefeitura de Campo Grande sobre a falta de medicamentos na rede municipal de saúde. Após verificar o desabastecimento de medicamentos em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o parlamentar foi até uma farmácia particular para conferir se os mesmos produtos também estavam indisponíveis no mercado.

Uma das justificativas apresentadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para a falta recorrente de medicamentos é a dificuldade em encontrar fornecedores. Segundo a pasta, algumas empresas teriam deixado de fabricar determinados produtos, enquanto outras não demonstrariam interesse em participar dos processos de compra realizados pelo Município. “Quando a gente questiona na Secretaria de Saúde por que falta tanto medicamento, a desculpa é sempre a mesma: as empresas não estão mais fabricando esse medicamento, as empresas não estão concorrendo nos editais, nas licitações”, afirmou.

Para conferir a situação, Maicon levou a relação dos medicamentos que estavam em falta na rede municipal até uma drogaria próxima ao CAPS. Segundo o vereador, os produtos apontados como indisponíveis na unidade pública foram encontrados para venda no estabelecimento particular. “Essa drogaria tem em toda a cidade e qualquer drogaria de bairro vai ter também. Absolutamente todos os medicamentos que faltam na Prefeitura as pessoas podem comprar na primeira drogaria que encontrarem”, declarou.

A constatação, segundo Maicon, reforça a necessidade de a Prefeitura esclarecer se o problema está efetivamente na disponibilidade dos medicamentos ou na relação do Município com os fornecedores.

O vereador afirma ter recebido informações de que empresas estariam deixando de fornecer produtos para Campo Grande devido a problemas de pagamento por parte do Município. A alegação, no entanto, ainda precisa ser oficialmente esclarecida pelo Executivo. “A informação que nós temos é que, na verdade, a Prefeitura não paga essas empresas. Por não pagar essas empresas, essas empresas não têm mais interesse em vender para Campo Grande”, disse.

Durante a fiscalização, Maicon verificou uma relação de aproximadamente 20 medicamentos e afirma que 12 estavam em falta naquele momento, o equivalente a cerca de 60% dos itens consultados.

A lista inclui medicamentos utilizados no tratamento de diferentes condições, entre elas depressão, transtornos de ansiedade e pânico, transtorno bipolar, esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, além de epilepsia e crises convulsivas.

Entre os produtos citados está a fluoxetina de 20 mg. O vereador também apresentou exemplos como a fenitoína, que encontrou por aproximadamente R$ 6,70 na rede particular, e o diazepam, por cerca de R$ 9.

Para Maicon, o fato de alguns desses medicamentos terem baixo custo no comércio torna ainda mais urgente uma explicação sobre as dificuldades enfrentadas pelo Município para manter os estoques. “Se investe em saúde pública, por que a gente não está conseguindo investir no básico? Medicamentos de cinco, seis, oito, dez reais que salvam vidas”, questionou.

O parlamentar também chama atenção para quem depende da rede pública para manter tratamentos contínuos. No caso dos medicamentos utilizados na assistência em saúde mental e em condições neurológicas, a indisponibilidade pode comprometer a continuidade do acompanhamento e deixar pacientes sem acesso ao tratamento prescrito.

Maicon ressaltou ainda que encontrar o medicamento em uma farmácia particular não significa que todos os pacientes tenham condições financeiras de comprá-lo. Para quem depende integralmente do SUS, mesmo medicamentos de menor valor podem representar um custo recorrente que deveria ser garantido pela rede pública. “Vocês não imaginam quantas pessoas cometem suicídio ou têm o seu quadro piorado porque a Prefeitura, há um, dois ou mais anos, não entrega o simples, o básico dentro dos CAPS”, afirmou.

A falta de medicamentos já é alvo de cobranças do mandato. Maicon afirma que apresentou requerimentos solicitando informações à Sesau sobre os motivos do desabastecimento e pretende continuar buscando respostas sobre os processos de compra e a situação dos fornecedores.

Para o vereador, a fiscalização acrescenta um novo elemento à cobrança: se os medicamentos existem e estão disponíveis para compra no comércio local, a Prefeitura precisa explicar por que não consegue disponibilizá-los aos pacientes da rede municipal. “Vamos continuar cobrando via requerimento, denúncias na Defensoria Pública e no Ministério Público”, afirmou.

Assessoria de Imprensa do Vereador

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